quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Madre Teresa e o relato dos profissionais que participaram no processo para sua canonização

A Tribuna entrevistou os profissionais que participaram do processo de canonização de Madre Teresa.

Dos três médicos peritos que participaram do processo de canonização, dois moram em Santos. Um deles é Monica Mazzurana, de 39 anos, especialista em cirurgia bariátrica. O outro profissional é o neurologista Marcus Vinicius Serra, de 39, nascido em Santos, que mantêm uma clínica na Cidade, coordena a Casa de Saúde e o Hospital Frei Galvão e trabalha nos hospitais Sirio Libanês e Santa Paula, em São Paulo.

“Caso não teria solução cirúrgica”
A cirurgiã bariátrica não podia imaginar que, depois daquela surpresa, estaria hoje entre os três médicos brasileiros atuantes no processo de canonização.
“Tudo começou quando recebi uma ligação perguntando se eu tinha disponibilidade de trabalhar por três, quatro dias inteiros, para o Vaticano”, diz Monica Mazzurana Benetti, de 39 anos. A cirurgiã bariátrica dos hospitais Guilherme Álvaro e Beneficência Portuguesa não podia imaginar que, depois daquela surpresa, estaria hoje entre os três médicos brasileiros atuantes no processo de canonização de Madre Teresa de Calcutá. 
Nascida em Gramado (RS), mas em Santos há 15 anos, ela teve menos de uma semana para se esquecer de fé, devoção e religião para se voltar somente à análise científica dos fatos.
“Minha função como perita era avaliar o exame físico atual, ver se tinha alguma sequela e só encontrei nele uma leve alteração na marcha ao caminhar na ponta dos pés e um desvio de olhar. No mais, ele está absolutamente normal. Teve dois filhos depois disso e vive normalmente”, conta ela.
Antes disso, ela revisou todo o prontuário do paciente e teve acesso a todas as tomografias. Era entre 18 e 23 de junho, numa sala da casa do bispo diocesano, dom Tarcísio Scaramussa, na Ponta da Praia – palco de todo o processo que teve 14 testemunhas ouvidas e sabatinadas, primeiro separadamente e, depois, juntas. 
“Sozinha no quarto, quando peguei as tomografias com as evidências que num dia tinha hidrocefalia e no outro, nada, naquela hora me ajoelhei e entendi que o milagre estava acontecendo. Realmente, é inacreditável. Não teria como ser resolvido se não fosse cirurgicamente”, chora. 
Segundo a médica, um religioso oriundo de Roma e que participou do processo chamou muito a atenção de todos, para lembrar que os médicos estavam ali como cientistas, e não, como católicos. “Na verdade, não fomos nós que decidimos que era ou não milagre. Simplesmente respondíamos à pergunta: ‘Há como comprovar a melhora cientificamente?’. E minha resposta foi não”. 
“Todo mundo envolvido tem um motivo para estar ali. Não sei o meu, mas não tenho dúvida disso. Acho que fomos instrumentos de Deus para mostrar o exemplo de Madre Teresa e tentar transformar este mundo tão materialista num lugar mais humano”, diz. 

"Nunca fui tão sabatinado "
Foram quatro dias de estudo, análise de exames e perguntas a testemunhas para a pior sabatina da vida do neurologista santista Marcus Vinicius Serra, de 39 anos, que coordena a área nos hospitais santistas Casa de Saúde e Frei Galvão. 
Ele teria de decidir se o caso de cura em 24 horas de um quadro gravíssimo era explicável cientificamente. O peso da resposta contribuiria ou não para que um milagre fosse atribuído a Madre Teresa. 
Pai de dois filhos, o médico não pôde contar à família o que estava acontecendo. Recebeu o convite para participar, chorou, e ninguém entendeu. 
Após juramentos inclusive com as mãos sobre a Bíblia, ninguém poderia saber que o processo estaria ocorrendo até que o Papa o autorizasse. 
Por ser casado e com a mulher grávida na época da convocação, Serra era o único que podia voltar para casa à noite. “Eu só dizia a ela que estava em um retiro, trabalhando. Precisei esconder (o que fazia) e disse que um dia ela iria se orgulhar”, conta o médico.
Seu único medo era o de que imprensa e outras pessoas achassem que ele poderia usar o caso para se promover. “Se eu pudesse, não iria falar. E confesso que fiquei com medo de a Igreja pedir para eu dizer que foi mesmo um milagre. Mas quatro dias depois (do convite à participação), chegou uma comitiva do Vaticano com dois monsenhores. Nunca fui tão sabatinado na minha vida. E isso me deixou feliz. Senti que eles queriam que fosse sério”. 
Após negar que a melhora pudesse se explicar cientificamente, o neurologista soube que outros profissionais do ramo no Rio de Janeiro, nos Estados Unidos e na Itália também avaliariam os exames. 
“Fiz um relatório final e coloquei o que consegui explicar. Entreguei a via num pen drive e, como pedido, a deletei do meu computador. No total, toda a documentação ficou com 400 páginas: uma foi para o Vaticano, outra está em Santos e uma fica lacrada, não sei onde”.
Para ele, o melhor jeito de resumir o que sente é acreditar que todos têm uma missão. “Uma dessas missões minhas, descobri, é levar o nome de Madre Teresa ao mundo. Estou anestesiado. Não sei o que dizer”, resume o médico, emocionado.


fonte:atribuna.com.br

domingo, 17 de janeiro de 2016

Vaticano vai canonizar Madre Teresa de Calcutá



O Papa Francisco assinou dia 17/12/2015, no Vaticano, o decreto que autoriza a canonização de Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), após reconhecer um milagre ocorrido em Santos, o segundo da futura santa.
"O Santo Padre autorizou a Congregação das Causas dos Santos a proclamar o decreto sobre o milagre atribuído à intercessão da beata madre Teresa", afirmou o Vaticano em um comunicado.
De acordo com o jornal Avvenire, a canonização da beata Teresa de Calcutá será pública em fevereiro, durante o Consistório ordinário, e ela será feita santa em 4 de setembro de 2016.
A sua canonização acontece depois de a Igreja Católica aprovar por unanimidade a “cura extraordinária” de um homem em 2008, em Santos. Ele estava em fase terminal por graves problemas cerebrais.
O primeiro milagre de Madre Teresa de Calcutá que levou a sua beatificação foi reconhecido em 2002, quando o papa João Paulo II julgou que a cura de uma mulher indiana, que sofria de um tumor estomacal, foi resultado da intervenção sobrenatural de Madre Teresa um ano depois de sua morte.
A mulher relatou que as dores que sentia desapareceram depois que ela fez oração com uma foto de Madre Teresa.

O caso
O segundo milagre de Madre Teresa de Calcutá ocorreu em 2008, quando um engenheiro de 35 anos,(Marcilio Haddad Andrino) que havia casado recentemente, deu entrada em um hospital de Santos com fortes dores na cabeça. Ele foi diagnosticado com hidrocefalia (acúmulo excessivo de líquido dentro do crânio, que leva ao inchaço cerebral) e tinha oito abscessos (acúmulo de pus) espalhados pelo cérebro que entupiram uma glândula controladora dos fluídos que circulam entre a coluna e o cérebro.
“Quando não há a movimentação desses líquidos, há pressão na caixa craniana, que não se expande e faz o paciente entrar em coma". Foi isso o que ocorreu com Marcílio. Segundo especialistas, a partir de dois abscessos na cabeça, a chance de morte é de 90%.
Desde o diagnóstico, ele começou a tomar remédios, mas o quadro só piorava. Vinte dias depois, entrou em coma.
O único jeito de salvar o paciente era uma cirurgia de drenagem, que precisou ser adiada porque um dos equipamentos de anestesia precisava ser agendado para uso.


Milagre
Na data da cirurgia, outro médico que atua em Santos, João Luis Cabral Junior, de 44 anos, neurologista, operaria o paciente. Enquanto ele foi buscar um cateter para iniciar o procedimento, o paciente acordou.
Segundo o padre Caetano Rizzi, vigário judicial do Tribunal Eclesiástico Diocesano de Santos, o milagre aconteceu depois que a família do engenheiro recebeu a medalha e a oração de Madre Teresa das mãos do pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida, de São Vicente, padre Elmiran Ferreira. “A esposa veio me procurar no dia que ele entrou na UTI, eu dei a ela uma imagem da Madre Teresa de Calcutá e disse para que rezasse todos os dias com devoção e confiança pedindo a intercessão a Deus”, contou o padre em entrevista em julho para A Tribuna.
No dia seguinte, o homem não sentia mais nenhuma dor e, realizados os exames novamente, não apresentava mais nenhum tipo de acúmulo no cérebro. Um Exame colegial da Ordem dos Médicos feito posteriormente diz que a resolução da doença é cientificamente inexplicável. A votação foi unânime, com sete votos de sete.
O caso demorou para vir à tona porque só depois que o engenheiro se mudou para o Rio de Janeiro, se consultou com outro profissional, ligado à comunidade católica Canção Nova. Ele tinha sido convocado para ser o médico da vinda do Papa Francisco à Jornada Mundial da Juventude e aproveitou a proximidade para contar ao pontífice que poderia ter ocorrido um milagre em Santos. Ali se iniciou a investigação.

Análise
Catorze testemunhas foram ouvidas por membros do Tribunal Diocesano para a Causa de Canonização de Madre Teresa, que veio a Santos em junho/2015 para recolher documentações e provas do possível milagre e levar ao Vaticano.

Na próxima postagem relato dos médicos que participaram do processo de canonização de Madre Teresa.


fonte:atribuna.com.br

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Beata Teresa de Calcutá

Nascida no dia 27 de agosto de 1910 em Skopje, na Albânia, foi batizada um dia depois de nascer. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia. Seu verdadeiro nome era Agnes Gonxha Bojaxhiu.

Pouco se sabe sobre sua infância, adolescência e juventude, porque ela não gostava de falar de si mesma. Aos dezoito anos, sentiu o chamado de consagrar-se totalmente a Deus na vida religiosa. Obtido o consentimento dos pais, e por indicação do sacerdote que a orientava, no dia 29 de setembro de 1928, ingressou na Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, situada na Irlanda.

O seu sonho, no entanto, era o trabalho missionário com os pobres na Índia. Cientes disso, suas superioras a enviaram para fazer o noviciado já no campo do apostolado. Agnes então partiu para a Índia e, no dia 24 de maio de 1931, fez a profissão religiosa tomando o nome de Teresa. Houve na escolha deste nome uma intenção, como ela própria dissera: a de se parecer com Teresa de Jesus, a humilde carmelita de Lisieux.

Foi transferida para Calcutá, onde seguiu a carreira docente e, embora vivesse cercada de meninas filhas das famílias mais tradicionais de Calcutá, impressionava-se com o que via ao sair às ruas: os bairros pobres da cidade cheios de crianças, mulheres e idosos cercados pela miséria, pela fome e por inúmeras doenças.

No dia 10 de setembro de 1946, dia que ficou marcado na história das Missionárias da Caridade – congregação fundada por Madre Teresa – como o “Dia da Inspiração”, durante uma viagem de trem ao noviciado do Himalaia, Madre Teresa deparou com um irmão pobre de rua que lhe disse: “Tenho sede!”. A partir disso, ela afirmou ter tido a clareza de sua missão: dedicar toda sua vida aos mais pobres dos pobres.
Após um tempo de discernimento, com o auxílio do Arcebispo de Calcutá e de sua madre superiora, ela saiu de sua antiga congregação para dar início ao trabalho missionário nas ruas de Calcutá. Começou por reunir um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, aos quais começou a ensinar numa escola improvisada. Pouco a pouco, o grupo foi crescendo. Dez dias depois, eram cerca de cinquenta crianças.

O início foi muito desafiador e exigente, mas Deus foi abençoando sua obra e as vocações começaram a surgir entre suas antigas alunas. Em 1949, Madre Teresa começou a escrever as constituições das Missionárias da Caridade e, no dia 7 de outubro de 1950, a congregação fundada por ela foi aprovada pela Santa Sé, expandindo-se por toda a Índia e pelo mundo inteiro anos mais tarde.

No ano de 1979 recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Neste mesmo ano, o Papa João Paulo II a recebeu em audiência privada e a tornou sua melhor “embaixadora” em todas as nações, fóruns e assembléias de todo o mundo.

Com saúde debilitada e após uma vida inteira de amor e doação aos excluídos e abandonados – reconhecida e admirada por líderes de outras religiões, presidentes, universidades e até mesmo por alguns países submetidos ao marxismo – Madre Teresa foi encontrar-se com o Senhor de sua vida e missão no dia 5 de setembro de 1997. Sua despedida atraiu e comoveu milhares de pessoas de todo o mundo durante vários dias.

Foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003, Dia Mundial das Missões.


“Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz”. Mais do que falar e escrever, Madre Teresa de Calcutá viveu este seu pensamento.

Beata Teresa de Calcutá, rogai por nós!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Oração do Papa pelo Jubileu da Misericórdia

Senhor Jesus Cristo,
Vós que nos ensinastes a ser misericordiosos como o Pai celeste, e nos dissestes que quem Vos vê, vê a Ele.
Mostrai-nos o Vosso rosto e seremos salvos.
O Vosso olhar amoroso libertou Zaqueu e Mateus da escravidão do dinheiro; a adúltera e Madalena de colocar a felicidade apenas numa criatura; fez Pedro chorar depois da traição, e assegurou o Paraíso ao ladrão arrependido.
Fazei que cada um de nós considere como dirigida a si mesmo as palavras que dissestes à mulher samaritana:
Se tu conhecesses o dom de Deus!
Vós sois o rosto visível do Pai invisível, do Deus que manifesta sua onipotência sobretudo com o perdão e a misericórdia: fazei que a Igreja seja no mundo o rosto visível de Vós, seu Senhor, ressuscitado e na glória.
Vós quisestes que os Vossos ministros fossem também eles revestidos de fraqueza para sentirem justa compaixão por aqueles que estão na ignorância e no erro: fazei que todos os que se aproximarem de cada um deles se sintam esperados, amados e perdoados por Deus.
Enviai o Vosso Espírito e consagrai-nos a todos com a sua unção para que o Jubileu da Misericórdia seja um ano de graça do Senhor e a Vossa Igreja possa, com renovado entusiasmo, levar aos pobres a alegre mensagem: proclamar aos cativos e oprimidos a libertação e aos cegos restaurar a vista.
Nós Vo-lo pedimos por intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia, a Vós que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém.

Papa Francisco

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

10 perguntas sobre o Ano Santo da Misericórdia

No dia 8 de dezembro, festividade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco abriu a Porta Santa na Basílica de São Pedro de Roma, ao mesmo tempo em que foram abertas as portas santas de todas as dioceses do mundo para todos viverem o Jubileu.
Apresentamos, a seguir, 10 perguntas essenciais sobre como viver o Ano Santo, de acordo com a bula papal “Misericordiae vultus” (MV), com a qual o Papa convocou este jubileu.

1. O que é um Ano Santo ou Jubileu Extraordinário?
Na tradição católica, o Jubileu é o ano que a Igreja proclama para que as pessoas se convertam em seu interior e se reconciliem com Deus, por meio da penitência, da oração, da caridade, dos sacramentos e da peregrinação, “porque a vida é uma peregrinação e o homem é um peregrino” (MV 14).
Em todos os anos santos é possível ganhar indulgências, graças especiais que a Igreja concede e que podem ser aplicadas à remissão dos próprios pecados e suas penas, ou também aos defuntos que estão no purgatório.
O lema deste Ano Santo é “Misericordiosos como o Pai”, e a principal intercessora do Jubileu é Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe de misericórdia.
A cada 25 anos, a Igreja celebra um Ano Santo Ordinário. O próximo será em 2025. Fora dos anos santos ordinários, a celebração do Ano Santo é “extraordinária”.


2. Por que este Ano Santo é o da misericórdia?
O Papa quis que o tema fosse a misericórdia para nos unir mais ao rosto de Cristo, no qual se reflete a misericórdia do Pai, que é “rico em misericórdia” (MV 1). A misericórdia é superior à justiça. Deus é justo, mas vai muito além da justiça, com sua misericórdia e seu perdão. E é isso que podemos vivenciar neste Ano Santo.


3. Quando começa e quando termina este Ano Santo?
O Ano Santo começa no dia 8 de dezembro de 2015, com a celebração dos 50 anos do final do Concílio Vaticano II, e termina na festa de Cristo Rei, em 20 de novembro de 2016, o último dia do ano litúrgico.


4. O que o Papa pede que façamos?
O Papa Francisco insiste na iniciativa “24 horas para o Senhor, que desejo que seja celebrada em toda a Igreja”, entre a sexta-feira e o sábado antes do 4º domingo da Quaresma, porque “é expressão desta necessidade da oração”.
Além disso, ele aconselha que pratiquemos as obras de misericórdia, além de viver intensamente a oração, o jejum e a caridade na Quaresma (MV 17); também recomenda que nos confessemos, para poder receber melhor as graças do ano jubilar. E que cada um realize uma peregrinação, de acordo com suas capacidades, para atravessar a Porta Santa.


5. É preciso ir a Roma para atravessar a Porta Santa e ganhar indulgências?
Não. Você pode ir à catedral da sua diocese ou às igrejas e basílicas destinadas a isso. Em cada diocese haverá uma Porta Santa e, cruzando-a, você ganhará as indulgências do Ano Santo (quando a peregrinação for acompanhada de confissão, comunhão no dia da peregrinação, um ato de fé – recitação do Credo – e uma oração pelo Papa).


6. O que são as obras de misericórdia?
Existem 14 obras de misericórdia, 7 espirituais e 7 corporais.

Obras de misericórdia corporais:
1-Dar de comer a quem tem fome;
2-Dar de beber a quem tem sede;
3-Vestir os nus;
4-Visitar os doentes;
5-Visitar os presos;
6-Acolher os peregrinos;
7-Enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espirituais:
1-Dar bom conselho;
2-Corrigir os que erram;
3-Ensinar os ignorantes;
4-Suportar com paciência as fraquezas do próximo;
5-Consolar os aflitos;
6-Perdoar os que nos ofenderam;
7-Rezar pelos vivos e pelos mortos.


7. O que são e o que fazem os “missionários da misericórdia”?
O Papa Francisco anunciou que enviará padres em todas as dioceses, chamados “missionários da misericórdia”, os quais poderão celebrar missões pregadas nas paróquias e despertar o chamado à misericórdia. Além disso, poderão perdoar pecados muito grandes, como crimes mafiosos, assassinatos cometidos para enriquecer, bem como o gravíssimo pecado da corrupção.


8. É necessário se confessar no Ano Santo?
Durante o Ano Santo, a reconciliação com Deus é vivida especialmente através do sacramento da confissão, muito unido ao da Eucaristia. É aconselhável confessar-se várias vezes ao longo do Jubileu, para experimentar mais profundamente a misericórdia de Deus.


9. Qual é a importância do Ano Santo no pontificado de Francisco?
O centro do pontificado do Papa Francisco é a misericórdia de Deus e, portanto, este ano jubilar é o cume do seu pontificado.


10. O Ano Santo é importante para outras religiões?
A misericórdia “ultrapassa os confins da terra” (MV 23); ela nos relaciona com o judaísmo, como se vê no Antigo Testamento, em que a misericórdia de Deus é evidente; também os relaciona com o islamismo, que atribui ao Criador os nomes de “misericordioso” e “clemente”. O Papa Francisco pede o diálogo com todas as “nobres tradições religiosas” do mundo.

http://pt.aleteia.org/

domingo, 6 de dezembro de 2015

Ano Santo: ninguém excluído da misericórdia de Deus

O Papa Francisco anunciou na sexta-feira, dia 13 de março na Basílica de S. Pedro um “jubileu extraordinário” centrado na “misericórdia de Deus”. Este Ano Santo da Misericórdia terá início a 8 de dezembro deste ano de 2015 e percorrerá todo o ano de 2016. Na nossa rubrica “Sal da Terra, Luz Mundo” de hoje procuramos aprofundar o significado de tão importante acontecimento.

Um Ano para a misericórdia
“Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. (…) Este Ano Santo iniciar-se-á na próxima solenidade da Imaculada Conceição e concluir-se-á a 20 de novembro de 2016.”
Foi com estas palavras que o Papa Francisco anunciou o Ano Santo da Misericórdia abrindo uma janela para a Reconciliação, para o encontro dos fiéis com Deus e para o reencontro com a Igreja daqueles que têm estado à margem ou, numa linguagem atualmente mais pontifícia: aqueles que têm estado nas periferias da Igreja.
“Sede misericordiosos como o Pai”, versículo retirado do Evangelho de S. Lucas, será o lema deste Jubileu Extraordinário. Um lema que é um apelo para que todos acreditemos na penitência e na reconciliação como o caminho do cristão.

Amor e juízo sem excluídos
O anúncio do Ano Santo foi feito pelo Santo Padre (13 de março) no final da sua homilia da celebração penitencial com a qual o Papa abriu a iniciativa “24 horas para o Senhor”. E a misericórdia foi o tema da homilia. Nela o Santo Padre referiu-se à passagem do Evangelho que conta o episódio da mulher pecadora que lava os pés a Jesus e os enxuga com os cabelos, beijando-os e ungindo com óleo perfumado.
Desde logo – disse o Papa – duas palavras a reter: amor e juízo. O amor da mulher pecadora e o amor de Jesus que permite que ela se aproxime e acolhe-a demonstrando-lhe o amor de Deus num encontro que vai para além da justiça e para além do juízo que é a outra palavra, citada pelo Papa Francisco. O juízo de Simão, o fariseu que convidou Jesus para jantar e não consegue reconhecer quem é o seu convidado. Não consegue também encontrar o caminho do amor. No seu pensamento existe só a justiça e fazendo assim está errado – afirmou o Papa Francisco que deixou claro que ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus.

Tempo para o mistério da misericórdia
A abertura do próximo jubileu vai acontecer no 50.º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II e, segundo explica a Santa Sé, em comunicado de imprensa, “adquire um significado particular, impelindo a Igreja a continuar a obra começada com o Vaticano II”.
O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, responsável pela organização das celebrações deste jubileu, recorda em nota oficial que o Papa tinha afirmado no início de 2015 que se vivia “o tempo da misericórdia”. Foi no Angelus do domingo 11 de janeiro.
D. Rino Fisichella é o Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e falou à Rádio Vaticano sobre o significado deste Jubileu:
É um significado que se confirma na simbologia que o Papa Francisco quis utilizar. Antes de mais, fez o anúncio a 13 de março, ou seja, o ingresso no terceiro ano do seu pontificado; fê-lo durante uma celebração penitencial, recordando aos confessores o dever que têm de exprimir a misericórdia; fê-lo confessando-se ele próprio e tornando-se depois confessor. Portanto, penitente e confessor, o testemunho do grande mistério da misericórdia que nos envolve… e não esqueçamos que será aberta a Porta Santa precisamente no dia do quinquagésimo aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II. Todos estes elementos, no meu entender, indicam o percurso e dão significado a este Jubileu Extraordinário.”

Misericórdia: Deus perdoa e renova
O dom da misericórdia é uma presença constante nos discursos e homilias do Santo Padre desde o início do pontificado. No domingo, 17 de março de 2013, no primeiro Angelus do pontificado do Papa Francisco, as largas dezenas de milhares de fiéis presentes na Praça de S. Pedro, famintos das palavras do Santo Padre, ouviram o Papa Francisco afirmar que o Senhor perdoa-nos sempre e tem um coração de misericórdia para todos:
“Ele, nunca se cansa de perdoar, mas nós, por vezes, cansamo-nos de pedir perdão. Nunca nos cansemos, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um coração de misericórdia para todos nós. E também nós aprendamos a ser misericordiosos para com todos.”
Também no primeiro Domingo de Páscoa do Papa Francisco, no dia 31 de março de 2013, na Mensagem e Benção Urbi et Orbi, o Santo Padre referiu-se à misericórdia de Deus:
“Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que o poder do seu amor transforme também a nossa vida; e tornemo-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus pode irrigar a terra, guardar a criação e fazer florescer a justiça e a paz”.

Caminhar na misericórdia
O tema da misericórdia está, desde logo, presente no brasão de armas do Papa Francisco com o lema: ‘miserando atque eligendo’, que evoca uma passagem do Evangelho segundo S. Mateus: “olhou-o com misericórdia e escolheu-o”.
A misericórdia faz, assim, parte do caminho do Santo Padre que procura mesmo dar-lhe visibilidade. Foi surpreendente e célebre o Angelus de 17 de novembro de 2013, no qual o Papa Francisco surpreendeu dezenas de milhares de pessoas reunidas no Vaticano com a sugestão de um ‘medicamento espiritual’ para as suas vidas, distribuindo numa caixa própria, a ‘Misericordina’. Com embalagem de medicamento e posologia prescrita a “Misericordina” mais não era do que um terço para rezar. Mas a comunicação foi eficaz e inovadora.
Também na mensagem para esta Quaresma de 2015, o Papa Francisco deixou votos de que as paróquias e comunidades católicas se tornem “ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”.
Finalmente, podemos ainda registar que a palavra ‘misericórdia’ aparece mais de 30 vezes na primeira exortação apostólica do pontificado, ‘Evangelii gaudium’, ‘A alegria do Evangelho’.
O Ano Santo Jubilar da Misericórdia terá início com a abertura da Porta Santa na Basílica de S. Pedro a 8 de dezembro de 2015 dia da Imaculada Conceição de Maria e será encerrado no dia 20 de novembro de 2016 na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Um ano que vai da Mãe até ao Filho para encontrarmos Deus nas nossas vidas.
fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O que é misericórdia?

A palavra, Misericórdia, em latim, vem da expressão Miser cordis, ou coração de pobre. O Antigo Testamento, ao falar de Misericórdia não usa a palavra ‘coração’, mas útero (rahamim). O misericordioso é aquele que tem espaço interior para acolher a vida, as pessoas. Deus tem materna Misericórdia. Todos fomos gerados em seu divino ‘útero’. Ser misericordioso como Deus é ter espaço no coração para os irmãos.

No dicionário encontramos a seguinte definição: "Misericórdia é tratar com compaixão um inimigo". O homem está numa condição de miséria por causa de sua rebelião contra Deus e merece punição. Entendemos o significado de misericórdia quando o acusado joga-se à misericórdia do juiz. Isto significa que ele é culpado e não tem mérito com que apelar à lei. Esta é a condição exata em que nós nos achamos diante do tribunal de Deus. A misericórdia é a nossa única esperança. Podemos rogar por justiça diante dos homens, mas rogarmos por justiça a Deus (rogarmos que nos dê o que merecemos).


A misericórdia de Deus é descrita em vários lugares e de maneiras diversas. Sua misericórdia é grande (1 Reis 3:6), é suficiente (Salmo 86:5), é terna (Lucas l:78), é abundante (1 Pedro 1:3), é rica (Efésios 2:4), é eterna (Salmo 103:17). É tão grande consolação sabermos que Deus é tão abundante e rico exatamente no que necessitamos como pobres pecadores. Não é surpresa que o Salmista diga: "Cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua misericórdia". Salmo 59:16.
Misericórdia faz parte da própria essência divina. Foi pela misericórdia que o Pai nos criou, nos perdoou e nos deu o caminho para a remissão. Foi pela misericórdia que Jesus deu a Si mesmo por nós. E é nas obras de Cristo que devemos nos espelhar para o bem proceder como cristãos, socorrendo nosso próximo em suas necessidades corporais e espirituais. Todo cristão, do mais abastado ao mais carente, deve ser um reflexo da misericórdia de Deus. Ainda que lhe faltem meios materiais para ajudar ao próximo, nunca lhe deverá faltar o ânimo para imitar a Cristo.
Oração a Divina Misericórdia
Jesus, diante de vosso coração aberto, de onde jorraram sangue e água, fonte da Divina Misericórdia por nós pecadores. Venho a Vós com os vasos da confiança clamar as graças, dons e virtudes desta Santa devoção. Eu quero passar pelo Teu lado aberto de amor por mim, todos os meus pecados, minhas feridas emocionais e físicas, toda carência e depressão, pois tenho a certeza, que passando pelo teu coração serei uma Nova Criatura. Que os raios claros da Tua Divina Misericórdia, Sangue e Água dissipem toda treva em mim, traga-me o perdão e a paz, a graça da conversão e da retenção eterna. Refugiar-me no abismo da Salvação onde nenhum inimigo conseguirá me alcançar nenhuma tentação e todo mal será ali neutralizo. Quero passar pela Tua misericórdia os meus medos, duvidas, minha vida financeira, todo sentimento de desespero e fracasso, também todas as pessoas que fazem parte da minha vida, eu as confio a vós, na certeza de que experimentarão o Amor de Deus. Vós morrestes Jesus, mas uma fonte de vida jorrou para as almas, e um mar de misericórdia se abriu para o mundo inteiro. Ó Fonte de Vida, Misericórdia Divina inescrutável, envolvei o mundo todo e derramai-vos sobre nós. Acendei em nossos corações a chama de Vosso amor pelo Espírito Santo Senhor, a esperança, a certeza de que tudo pode ser mudado pela oração, que eu possa dizer em todos os momentos de minha vida: Jesus, eu confio em vós!

fonte: Canção Nova